O devoto dos deuses gregos que rejeita a Filosofia grega irá sentir falta de algo mais, porque...
TEORIA
A.Demétrios H.S.R.
1/27/20262 min read


A religião politeísta nativa dos gregos não dependia de filósofos, teorias ou qualquer figura de autoridade. As práticas direcionadas ao divino, ao sagrado, era um conjunto de conhecimentos tradicionais transmitido ao longos das gerações. Eram costumes mantidos por cada um e coletivamente. O costume ancestral possuía vida e força próprias e era A autoridade por si mesmo.
Logo, hoje em dia, também independe se um helenista escolhe aderir ou não a alguma escola filosófica.
Porém…
Quem é novo no Helenismo e normalmente vem do imaginário judaico-cristão, irá estranhar a falta de uma doutrina única e basilar contendo normas de conduta e crença. Assim como os antigos sacerdotes gregos não tinham a função de dirigir espiritualmente o povo. No meu início (eu, Demétrios), as informações pareciam um monte de fios soltos, um caos. Caos, aliás, que tentei organizar através das postagens em nossas redes.
A Sabedoria helênica atualmente se revela nas inúmeras vozes antigas que nos deixaram registros: poéticos, teatrais, discursos políticos, discursos sagrados, inscrições cultuais, dedicações devocionais e etc. Felizmente, é bastante material disponível se comparar com outros caminhos “pagãos”.
Eu repito este tipo de post porque conheço bem o “ranço” injustificado por Filosofia, o que impede a aproximação e fomenta o preconceito. Curiosamente, através de um olhar atento você encontrará muitos conceitos da filosofia grega no Ocultismo e sistemas de magia (que a galera neopagã ama).
A Filosofia helênica “turbina” conceitos-chaves do mundo helênico, renova, atualiza. Principalmente, ao meu ver, no que diz respeito a conduta de vida rumo à “Eudemonia” (Realização do Ser) baseada na “Areté” (Excelência, Virtude, etc), onde é investigada a essência do Ser Humano, o que é próprio dele para que possa se realizar, seguindo a própria natureza. E quem não deseja descobrir seu propósito e viver da melhor forma possível?
E sobre o divino e como ele opera, acima de meras opiniões? Pois os filósofos justamente trataram longamente do assunto, uns mais, outros menos. E são essenciais para nos provocar raciocínios. Eram pessoas que VIVIAM a tradição e OBSERVAVAM seus conterrâneos, o mundo e etc e resolveram investigar o que realmente era VERDADE sobre o que se dizia das divindades.
É ausente uma ortodoxia no Helenismo, é mais evidente e potente a ortopraxia. Mas isso não quer dizer que os gregos não buscavam o pensamento correto das coisas.
O devoto que rejeita a Filosofia Helênica vai acabar se deparando com “espaços vazios”. Você pode bater o pé e afirmar que não necessita dela, mas provavelmente porque já preencheu as lacunas espirituais com saberes alheios ao Helenismo ou da própria cabeça (complicado, uma vez que a maioria de nós é imatura e ignorante).
Valorize o rico tesouro legado pelos antigos helenos. O temos em abundância e a Internet facilita imensamente nesse trabalho. Ninguém é obrigado, mas fica a dica de quem já passou por vários “buracos” nessa jornada.
